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Carmem (1)

Publicado em Sem nome definido por Ana no / na Abril 23, 2007

Em toda turma de escola sempre existe aquela pessoa que se dedica totalmente aos estudos, deixando todas as outras coisas de lado. Carmem era desse tipo.
Ela sempre foi muito estudiosa e a melhor aluna da turma, se destacando nas mais diferentes matérias. Era citada por todos os professores como um exemplo a ser seguido por todos e realizava além disso várias atividades extra-curriculares de pesquisa.
Mas a verdade é que Carmem era uma pessoa muito solitária.
Sua grande timidez acabou se transformando em reclusão e ela encontrava nos estudos uma forma de escapar dessa solitária realidade. Quando não estava estudando, Carmem se entretia com seus livros, que devorava diariamente. Livros de todos os tipos preenchiam cada espaço livre de seu quarto, mas os seus preferidos eram os de fantasia. Com eles, ela entrava num mundo mágico totalmente dela, que tornava sua vida mais divertida.
Até mesmo depois de sair do colégio e entrar na universidade de bioquímica, ela continuou solitária e alheia aos eventos sociais que aconteciam ao seu redor. Ela era ainda a melhor aluna e se acostumara tanto a seu mundo que manteve-se distante de todos.
Talvez por isso, enquanto estava deitada na cama macia daquele quarto estranho e encantador ela pensou “ninguém vai notar minha falta mesmo. Acho que vou ficar por aqui”.
Naquele dia ela havia ficado até mais tarde no laboratório de química da faculdade. A prova era na manhã seguinte e ela queria ter certeza que sabia cada reação a ser feita perfeitamente. A medida que o tempo passava, ela fazia cada experimento planejado sem erro ou receio, enchendo o ar com odores e fumaças coloridas. Talvez tenham sido os reagentes misturados, mas o fato é que em breve toda a sala começou a assumir uma coloração azulada. Concentrada como estava, ela nem percebeu a sutil mudança no ambiente. Somente quando ouviu uma expressão de espanto ela tomou consciência da nova realidade que se abria.
As bancadas de concreto haviam sumido e dado lugar a uma ampla mesa de madeira escura e antiga, cheia de artefatos e equipamentos bem diferentes daqueles do laboratório de química. Em suas mãos, ela tinha um pote de barro e dentro dele uma substância parecida com água soltava uma fumaça prateada.
“Lindo efeito! Mas de onde você apareceu, mocinha?”
Do outro lado da mesa, uma mulher de aparência idosa olhava fixamente para Carmem, com um sorriso encantado no rosto. Carmem percebeu que ela estava com um pote igual em suas mãos, mas a substância era amarelada e soltava uma fumaça dourada.
“Eu não sei! eu estava no laboratório e de repente estava aqui.”
“Ah! Uma alquimista?”
“Não, não é isso…”
Carmem olhava confusa para os vinúmeros potes cheios de coisas estranhas que preenchiam várias prateleiras ao redor da sala.
“Como assim? Somente um alquimista conseguiria um efeito tão perfeito numa poção de invocação! Como é seu nome, menina?”
“Carmem… e a senhora?”
“Meu nome é Lidia. Essa é minha casa, esse é meu laboratório.”
“Desculpe, dona Lidia, eu não sei como vim parar aqui.”
Voltando sua atenção para o pote em suas mãos, Lídia resmungou: “Já que está aqui mesmo, então me alcance aquele pote a sua direita que tenho que terminar isso ainda hoje…”
Vendo um grande pote de vidro opaco ao seu lado, Carmem prontamente levou-o até a velha senhora. Ela abriu a tampa e pegou de dentro dele algo viscoso que parecia muito com pele de algum animal. Fascinada por tudo que acontecia, Carmem não se moveu e observou atentamente tudo que a mulher fazia.
“Você parece ter muito interesse no que eu faço para não conhecer magia..”
Sem aviso, uma grande nuvem dourada subiu do pote e encima da mesa apareceu uma pequena criatura, que para Carmem parecia muito com a estátua metálica de um pequeno lagarto.
“Vá, me traga o que desejo!” Lídia ordenou.
A criaturinha se moveu rapidamente e sumiu em meio a bagunça da sala.
“Agora, vamos dar uma boa olhada em você… Então, não sabe onde está nem como veio parar aqui. Pelo jeito gosta de magia.”
“Eu nem sabia que isso existia, dona.”
Soltando uma gargalhada de gelar os nervos, Lidia olhou fixamente para Carmem.
“Essa é Antina. Aqui tem magia em todos os lugares.”

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