Luiz (1)
Luiz sempre foi uma pessoa muito controlada. Apesar de sua aparência intimidadora, não gostava de se meter em confusão. As poucas vezes em que teve que efetivamente brigar com alguém, foi para defender um amigo ou para defender a si mesmo.
Apesar de seu comportamento pacato, a confusão sempre insistiu em correr atrás dele. Parece que muito pouca gente conseguia olhar para ele sem provocá-lo ou ficar assustado. Luiz era um rapaz grande, bem maior que a média e os exercícios que sempre fez ao longo dos anos lhe ajudaram a ter um físico poderoso. Assim, Luiz tinha poucos amigos, mas isso fez com que ele aprendesse a valorizar muito cada um deles.
Assim que terminou a escola, ele decidiu não ir para a faculdade. Sua família não era pobre, mas não tinha dinheiro para pagar uma faculdade particular. Ele tinha que trabalhar para ajudar em casa, então não tinha tempo para estudar para um vestibular mais concorrido. Assim, ele decidiu continuar trabalhando e juntar dinheiro.
Com seu tamanho, não foi dificil para ele arranjar logo um trabalho como segurança de casas noturnas. As vezes ele tinha que encarar alguma confusão, mas normalmente as coisas eram calmas e o emprego pagava bem.
Luiz arranjou emprego num dos mais badalados bares da cidade, um lugar cheio de gente rica e poderosa. Algumas noites eram turbulentas, mas ele sempre conseguia aplacar as brigas e restaurar a paz no local.
Naquela noite de quarta-feira a festa prometia ser tranquila. Alguns convidados estavam na mesa do canto e a pista estava bem vazia. A calmaria fez Luiz relaxar e se distrair um pouco. Porém, a calmaria não dura para sempre. Um barulho do lado de fora chamou a atenção de todos. A porta do bar foi escancarada por um chute violento e em poucos segundos o local foi invadido por uma turba de pessoas mal encaradas, se espalhando e fazendo arruaça. Isso nunca havia acontecido antes, mas os seguranças se agilizaram prontamente, pedindo que os novos visitantes se comportassem, o que fez a confusão explodir totalmente. Sem nenhum aviso, pessoas começaram a brigar pelo bar e garrafas voavam para todos os lados.
A primeira reação de Luiz foi procurar pelos clientes que estavam ali antes, na tentativa de protegê-los da confusão que se alastrava. Ele sentiu pessoas tentando atacá-lo, mas sempre se desviava. Finalmente ele alcançou a mesa ao fundo onde duas mulheres tentavam se proteger, assustadas.
“Venham comigo!”, ele disse.
Uma delas arregalou os olhos e gritou, apontando para suas costas.
Tudo que ele sentiu foi a batida forte na cabeça e mundo sumindo lentamente…