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Paulo (2)

Publicado em Sem nome definido por Ana no / na Abril 9, 2007

Tudo parecia confuso para Paulo. Ele acordou com uma tremenda dor de cabeça somente para se descobrir em meio a uma acalorada discussão.
Ele estava deitado no chão frio e sujo de uma sala escura e abafada, com as mãos amarradas. Ao seu redor, um pequeno grupo de pessoas que ele nunca havia visto antes estava discutindo sobre ele. Pelo que ele podia entender da conversa, as coisas não estavam muito boas.
“Ele é um espião! Provavelmente um daqueles cães da guilda estrela! Devemos acabar logo com ele.” Disse um homem alto e magro no canto.
“Isso pode ser verdade, mas ele burlou nossas defesas e entrou no prédio. Ninguém da guilda estrela jamais conseguiu isso. Ele merece ser ouvido por Loi.”
“Não importa! Um espião deve ser punido com a morte!”
“Ora, Alis, tanto ódio somente porque ele passou pela sua guarda?”
Todos na sala ficaram em silêncio diante dessa palavras. Vermelho de raiva, o homem que reclamava se calou, baixando os olhos em frustração. Na porta, um homem forte com um rosto sereno e sábio, olhava ao redor com interesse. Paulo sentiu aqueles olhos examinarem sua alma até que finalmente o homem sorriu e mandou que o soltassem.
“Mas, Loi, ele é um espião!!!”
“Isso cabe a mim decidir”
Mais uma vez todos se calaram, apesar de Paulo perceber os olhos cheios de ódio de algumas pessoas naquela sala. Existia um equilíbrio ali, mas era frágil como pisar em ovos.
Loi deu a mão para Paulo se levantar. Ele esfregou os punhos machucados pela corda e cumprimentou o homem. Loi deu um ligeiro sorriso e convidou Paulo a sentar na mesa perto da janela. A sala aos poucos foi esvaziando até que só sobraram os dois e um outro que se postou ao lado da porta, parecendo muito interessado no corredor.
“Qual seu nome, rapaz?”
“Paulo, senhor”
“Você sabe onde está, Paulo?”
Paulo olhou ao redor confuso. Percebendo isso, Loi continuou a falar.
“Você está na guilda cinza. Já ouviu falar dela?”
O olhar de Paulo dizia tudo. Suspirando, Loi pediu uma bebida e pensou “Vai ser uma longa conversa…”

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