O Golpe – Parte 2 (Nova)
Há sessenta anos atrás o mundo era outro. As pessoas ainda se divertiam com cinemas, liam livros em papel, sujavam o mundo de todas as maneiras possíveis e o mais importante de tudo, as pessoas tinham amigos. Amigos fieis, amigos confiáveis, amigos que acreditavam. Acreditavam muito. Hoje eu entendo que eles acreditavam demais. Os meus amigos foram as pessoas que um dia viram a se tornar a Elite que iria realizar as ações mais importantes para as mudanças radicais que teriam que vir. Cada uma dessas pessoas era uma pessoa única, com as suas próprias aspirações, seus próprios talentos e seus próprios objetivos. Mas todos essas aspirações, talentos e objetivos se encaixavam harmoniosamente com os meus planos. Nunca soube ao certo se foram eles que se encaixavam aos planos, ou os planos que foram feitos pensando neles.
Todos eles acreditavam que alguma coisa deveria ser feita. Todos eles viam a necessidade de mudança nas coisas. Quando eu apresentei um esboço dos planos, eles o aceitaram com entusiasmo e com fé. Pois fé era um sentimento necessário para que os planos fossem seguidos. Nunca tivemos certeza de nada, até quando o fim chegou, mas lá, a certeza já não era mais necessária.
Entre os meus amigos, existia uma mulher, que já era o meu maior apoio e o meu maior incentivo para as mudanças. Ela merecia viver em um lugar melhor e isso foi uma das coisas que fez eu me decidir pelas mudanças. Ela seria o coração de todos os meus planos, inclusive da “Grande Diretiva”. Mas como o coração é instável e permeado de emoções, foi ela a maior oposição no objetivo final e a minha maior fonte de arrependimento. Se eu soubesse todas as consequências não teria nem começado o plano. Mas não foi assim que aconteceu e os planos começaram a ser detalhados. A partir da do detalhamento dos objetivos de cada plano, foi criada a “Grande Diretiva”, um documento aonde estariam listados todos os objetivos, mas que agora só listava um. Dinheiro.
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