Joel (2)
Joel acordou em uma cama macia. Pela janela ele podia perceber que já era noite, pois uma lua vermelha aparecia no céu.
“Vermelha?”
Joel levantou preguiçosamente, coçando a cabeça confuso.
“Talvez eu tenha caido e batido a cabeça. Essas coisas podem causar esse tipo de confusão” pensou Joel consigo mesmo.
“Sempre racional, não é mesmo?”
A voz grave acordou Joel de seus devaneios e o trouxe de volta à realidade, mas era uma realidade bem diferente da sua. Na porta do quarto estava parado um homem de aparência altiva.
“Olhe para mim rapaz, deixe-me ver seus olhos”.
Isso soava mais como uma ordem que com um pedido e Joel olhou diretamente para o estranho que o encarava. Por um instante pensou ver labaredas em seus olhos profundos.
“Venha, caminhe comigo.”
Sem nem sequer perceber o que estava fazendo, ele levantou e começou a caminhar ao lado do homem. Eles caminharam por salões amplos e salas ricamente decoradas, sem dizer nenhuma palavra. Tudo parecia muito bonito e grandioso para Joel, que estranhamente se sentia confortável e seguro, como se estivesse em casa. Imagens e estátuas compunham um ambiente peculiar, onde o fogo parecia dominar a decoração, um fogo que emanava poder e criação e fazia todas as criaturas arderem por dentro…
“Por aqui, ela está te esperando.”
Uma porta em metal prateada se abriu. Era uma porta lisa, sem decorações, bem diferente do resto do prédio. Ela chamava a atenção pela simplicidade.
Dentro, Joel se espantou pela pequena sala, de teto baixo e ligeiramente sufocante. Muitas mesas se espalhavam pelo espaço restrito, atulhadas de coisas estranhas e maravilhosas. Ao fundo, uma lareira ardia, tornando o ar abafado e quente, o que fez Joel se sentir tonto.
A mulher estava sentada em uma poltrona ao fundo da sala, bem próxima ao fogo. Ela tinha cabelos brancos presos numa trança e intensos olhos azuis. Não era possível determinar com precisão sua idade, pois as vezes parecia muito velha e em outras muito jovem. Joel foi em sua direção e parou, ouvido atentamente. Ele sabia que o que quer que ela dissesse, era importante.
“Sente-se, rapaz. Agora eu vou lhe explicar algumas coisas sobre esse lugar.”
Joel (1)
Mais um domingo na vida de Joel. Como todos os outros domingos, bem cedo sua mãe bate em sua porta para ele se aprontar para ir à igreja. “Uuuh, como está frio!”, Joel pensa consigo mesmo.
Desde pequeno essa rotina se repete e desde pequeno Joel reclama do compromisso. “Essa é a religião deles, não a minha” ele costuma resmungar enquanto coloca seus jeans surrados.
Depois de mais uma manhã de sermão, no caminho de volta da igreja, olhando distraido pela janela do carro, ele contempla a paisagem tão conhecida. “Nada nunca muda por aqui”, ele sempre pensa, todo domingo.
Logo depois do almoço (carne assada e batatas. Gostoso, como sempre), seus pais retiram-se para um cochilo e ele resolve ir até o quintal. Normalmente Joel iria ver televisão ou jogar videogame, mas o sol está tão bonito e a grande árvore nos fundos da casa parece tão atraente que ele decide sentar na sua sombra e ler um livro.
Aos poucos as letras em sua frente começam a embaralhar e Joel cai no sono. Algum tempo depois ele lembraria do sonho peculiar que teve naquela tarde, um sonho com guerreiros e batalhas e grande templos de antigos deuses. Mas essas lembranças só viriam depois, pois no momento em que acordou Joel estava num lugar bem diferente do quintal de sua casa.
A árvore parecia a mesma, mas essa tinha frutos vistosos e apetitosos. O gramado ao seu redor parecia mais bem cuidado e ao longe, ao invés de sua casa, ele avistou um frondoso prédio prateado, com janelas em forma de vitrais multicoloridos.
Fascinado como estava, nem percebeu o pequeno grupo que se aproximava. Ao ouvir as conversas ao seu lado, ele se virou e viu um grupo de homens, vestindo roupas simples como monges. Quando viram Joel, os homens se aproximaram curiosos, mas ele estava tão atordoado com tudo que estava acontecendo que sua reação foi levantar e sair correndo.
A unica saida visivel era o portão ao lado do grande templo. Virando-se, Joel dirigiu-se para lá, mas mal deu alguns passos ele parou bestificado pelo que via. Uma grande imagem pairava na sua frente, um ser de fogo que chamou seu nome. Ele caiu de joelhos e estendeu sua mão para aquele ser que emanava uma grande força e energia, sentiu suas mãos queimando e caiu inconsciente.
Miriam (2)
Ela se levantou de um salto quando essas imagens vieram a sua mente, olhando ao redor como uma animal acuado. O movimento brusco fez sua cabeça latejar e ela se sentou na precaria cama de palha em que esteve dormindo. Um barulho do outro lado da porta fez seus sentidos se aguçarem novamente e seus musculos se enrijeceram de expectativa.
A porta não se abriu como esperado. Ao invés disso, ela começou a sentir um cheiro agradável de comida recém preparada e passos no piso de madeira da pequena cabana em que se encontrava. Sentindo-se menos apreensiva, ela se levantou e foi até a janela do quarto sem idéia da visão que teria do exterior. Acostumada com prédios e carros, ela perdeu o fôlego ao ver a campina verdejante e o pequeno riacho que corria próximo à casa. Ao longe, era possível escutar o som de água corrente, uma cachoeira provavelmente. Bem próxima a sua janela, uma frondosa árvore oferecia uma acolhedora sombra.
Ela olhou a árvore com admiração, pensando que nunca havia visto nada parecido antes. Os galhos retorcidos demosntravam que era uma árvore muito velha, que havia presenciado muitas histórias. Mas o que mais chamava a atenção eram as folhas de uma cor diferente, algo entre o verde escuro e o azul. Perdida em seus pensamentos, demorou algum tempo até ela perceber dois pequenos olhos a observando de um dos galhos. O olhos piscaram para ela e então Miriam percebeu a pequena criatura. A princípio ela pensou que fosse uma criança, mas depois que seus olhos focaram melhor viu que era um adulto, mas muito pequeno. Antes que percebesse a estranheza dessa constatação, o pequeno ser gritou com uma voz aguda.
“Eladius! Ela acordou”.
A porta se abriu num rangido e a familiar figura escura se aproximou de Miriam. Congelada pelo medo, ela fechou os olhos e esperou o pior.
Miriam
A cabeça de Miriam doía. Ela não se lembrava muito bem do que havia acontecido desde que havia saído de casa na noite anterior. Ela se virou de lado e procurou o relógio na cabeceira da cama. Quando seus dedos tocaram algo bem diferente da delicada toalha de renda que normalmente cobre sua mesa, o cheiro de palha penetrou suas narinas e a textura áspera do algodão cru machucou sua pele, ela se lembrou…
Depois que saiu de casa, Miriam resolveu ir a pé até a casa de sua amiga Luana. No meio do caminho ela percebeu ao longe uma luz azulada se aproximando, pensando que era uma cor bem estranha para um farol de carro.
Tarde demais ela percebeu que a luz não era um carro e que se aproximava depressa. Ela até pensou em correr, mas quando começou a esboçar um passo, a luz a envolveu. Ela sentiu enjôo e tontura e tudo que via era um redemoinho de azul e verde ao seu redor. Em meio ao turbilhão, ela caiu como uma pedra em meio a um campo, numa encosta pouco íngreme de um lugar totalmente desconhecido. Antes de desmaiar por completo, ela lembrou da figura grande e escura que se aproximou e curvou-se sobre ela gentilmente.
Olá!
Olá a todos!
Bem, eu sou a outra postante desse blog.
Apesar da correria do dia-a-dia, vou tentar colocar partes da história que resolvi escrever aqui com o máximo de assiduidade possível.
Minha idéia pe um jogo baseado em uma sessão de RPG de nosso grupo, uma história de temática medieval ao estilo Caverna do Dragão. Ei sei, não é nada inovados, mas é uma história que eu estou afim de escrever, então vão ter que aguentar.
Eventualmente, pretendo colocar algumas histórias mais curtas, pequenos contos, na medida que a imaginação for funcionando.
Espero que gostem.
Minha história principal ainda não tem nome definido. Essa é sem dúvida a parte mais dificil de escrever> o título.
Aceito sugestões…
Sejam bem vindos ao nosso projeto!
O Golpe – Parte 1
Daqui aonde estou, vejo os Alpes Italianos se erguendo majestosamente sobre as nuvens da primavera Francesa. Uma primavera fria, em que o vento de inverno ainda faz os seus passeios, balançando as flores e trazendo o seu perfume para dentro do meu quarto. Sempre deixo a janela aberta no inicio da primavera, pois o frio faz eu me sentir mais vivo. São essas sensações, que me fazem lembrar do passado, um passado que enterrei a muito tempo, mas hoje a nostalgia de tempos que parecem melhores me fez voltar a lembrar. Já fazem sessenta anos que tudo começou, e já fazem vinte que eu estou aqui no Sul da França, sem poder, e nem querer, voltar para o país que eu amei e que hoje, mesmo depois de tudo que eu fiz por ele, me odeia.
A sessenta anos atrás eu era um jovem idealista, com muitas ideias de como mudar o meu país, como muitos outros jovens desse mesmo país. Normalmente, nenhum desses jovens como eu faria alguma coisas, mas sim ficariam só alardeando a todos o seu descontentamento com o sistema, sem tomar nenhuma atitude para mudar alguma coisa. Era para eu ser assim também. Mas o destino, ou o meu orgulho, não me permitiu ter uma vida tranquila, semeada somente de muitas reclamações e falta de ação.
Foi no dia 27 de Janeiro que eu decidi que iria tentar mudar as coisas. Mudar tudo. E nesse dia que eu comecei a criar o que o meu grupo de elite chamou de “Grande Diretiva”.
Olá!
Olá Pessoas!
Esse Blog foi feito para que se conte as histórias (a ideia é que essas histórias sejam romances, não contos) que derem na telha. Nada mais e nem nada menos do que isso.
Hoje mesmo eu(Tiago) começo colocando a primeira parte do meu romance O Golpe.
Os textos por dia vão ser pequenos, não esperem nada muito grande.
Cada história vai ter a sua categoria, para ser mais fácil o acesso para quem quer ler uma história só!
A outra pessoa “postante” desse blog, logo estará se apresentando.
Até mais!